
Natal
Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus…
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas…
A divindade é o menos.
Miguel Torga


